Rappers nikkeis latinos de Shizuoka despontam para o sucesso no Japão

Publicado em 2 de março de 2020, em Comunidade

Do grupo de rappers 6 são 5 descendentes de 4.ª geração de nacionalidades brasileira e peruana, rumo ao sucesso no Japão.

Neste Artigo:
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Cinco dos 6 integrantes do grupo Green Kids, no conjunto habitacional de Iwata, de onde surgiram (Shizuoka Shimbun)

Nascidos como rappers de dentro do conjunto habitacional Toshincho, em Iwata (Shizuoka), o grupo chamado Green Kids está ganhando popularidade. 

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Esse grupo de latinos faz rap em japonês, um reflexo da sociedade japonesa atual, onde a figura dos estrangeiros tem se tornado comum. Também são reflexo de que a cultura hip-hop se espalha independentemente das fronteiras e nacionalidades.

O começo foi em 2013 quando eles se reuniram de forma natural nesse danchi. Perto de onde moravam os irmãos gêmeos brasileiros – Flight-A e Swag-A – era uma área de festas. Eles tiveram influência do pai no gosto pelo hip-hop quando ainda estavam no segundo ano do ginásio, deixando tocar as músicas pela janela do quarto. Agora os dois têm 21 anos, e o grupo tem um integrante japonês e um DJ. 

Um videoclipe gravado no danchi no final de 2018, intitulado E.N.T, teve mais de 250 mil visualizações no canal de vídeo. No ano seguinte o grupo lançou 2 singles e um mini-álbum. Os integrantes fazem 4 a 5 apresentações mensais e no final do ano passado elevaram o nome com a participação no Wakakichi.

Discriminação e do ódio à força e amor

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A origem foi no Toshicho Danchi (Shizuoka Shimbun)

Nos raps Escape e Worry eles falam da discriminação sentida na pele e também do ódio que se transforma em força e amor. 

Nas letras descrevem o complexo ambiente de vida dos sul-americanos e o conflito sobre sua identidade. Outro tema importante são os atritos surgidos durante a fase da educação japonesa.

O brasileiro Barco, 21, se lembra do dia em que uma colega do primário disse “vá embora pro seu país”. Acha, 23, peruano, conta que estando no seu país ou no Japão sempre será gaijin (estrangeiro), uma grande dificuldade. 

Crazy-21, o único japonês do grupo, de Fukuroi diz “não importa a nacionalidade. Trabalho junto com eles porque são cheios de calor. E também me permitem o convívio com suas famílias”.

Sempre 0538

Escape diz “não nos escondemos, não fugimos, estamos sempre pra cima aqui no 0538”. Esse número é o código telefônico da cidade.

Acha afirma que se não tivessem morado nesse conjunto habitacional não teriam se conhecido, por isso, “tenho orgulho de ter sido criado nele. Se crescermos podemos mostrar pra todos que podem sonhar”.

Cada um dos integrantes tem uma atividade profissional, como motorista ou operário, mas querem viver da música. Swag-A justifica o fato de cantarem em japonês. “Podíamos cantar em português, pode ser divertido, mas a gente é gaijin e por isso que a nossa mensagem em japonês tem alcance”, explica.

“O rap não requer nenhum instrumento musical especial. É uma cultura que se espalha por todo o mundo; portanto, existem sonhos que podem ser vistos até na pobreza”, diz Acha.

Maioria dos estrangeiros em Iwata é verde amarela

Em Iwata são 8.421 estrangeiros, segundo dados de janeiro deste ano. Desses, 57% são brasileiros e 14% filipinos. Esse conjunto habitacional tem 450 apartamentos em 14 torres, sendo que em 2014 os estrangeiros eram maioria, com 57% dos residentes.

Assista ao clipe abaixo.

Fonte: Shizuoka Shimbun


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