Carlos Ghosn fala publicamente e critica ferozmente a justiça japonesa

Publicado em 9 de janeiro de 2020, em Notícias do Mundo

Depois de uma hora de explicação o ex-presidente da Nissan respondeu às perguntas dos jornalistas. Foi a primeira vez que falou após fuga do Japão.

Neste Artigo:
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Carlos Ghosn na coletiva de imprensa (reprodução da transmissão ao vivo)

O ex-presidente da Nissan, Carlos Ghosn, 65, vestido de terno, levemente mais magro, começou seu pronunciamento às 22h de quarta-feira (8), horário de Tóquio, de um salão em Beirute, no Líbano.

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Essa foi a primeira vez que se apresentou publicamente depois que deixou o Japão em 29 de dezembro e voou para Beirute, via Turquia. 

Desde a sua prisão em 19 de novembro de 2018, passaram-se 400 dias sem que pudesse falar, se defender e se explicar. “Fui brutalmente afastado da família, amigos, comunidades, da Renault, Nissan e Mitsubishi e dos 450 mil mulheres e homens que compõem essas empresas”, enfatizou.

“Não fugi da justiça mas da injustiça e perseguição”

Na plateia mais de cem jornalistas, sua esposa e familiares estavam presentes e ele disse que ansiava por essa data. Reafirmou sua inocência mas disse que não explicará como escapou do Japão. Deixou claro “não fugi da justiça mas da injustiça e perseguição”. 

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Centenas de jornalistas do mundo todo (reprodução da transmissão ao vivo)

Falou sobre seu braço direito Greg Kelly, preso no mesmo dia que ele. “Greg continua sendo vítima do sistema de justiça dos reféns no Japão. Nós e vocês não podemos esquecer a provação de Greg e a dor que ele e sua família sofrem nas mãos do sistema judiciário japonês”, pontuou.

Com sua grande habilidade de oratória explicou como foi o período de cárcere na Penitenciária de Tóquio. Contou detalhes, como banho duas vezes por semana, e incansáveis interrogatórios durante 8 horas ao dia.

“Ou você morre no Japão ou precisa sair de lá” 

O então titã da indústria automobilística disse que foi “presumidamente culpado” pelos promotores japoneses e “não tinha escolha” a não ser pagar a fiança. “Ou você morre no Japão ou precisa sair de lá”, colocando que “escapar foi a decisão mais difícil da minha vida”.

Disse que foi “roubado” de amigos e familiares quando preso, o que descreveu como uma “farsa” da justiça.

Ele descartou todas as alegações contra ele dizendo que são falsas: “eu nunca deveria ter sido preso em primeiro lugar”. Falou que “o conluio entre a Nissan e os promotores estão em todo lugar” e emendou dizendo “foi-me dito que isso é totalmente ilegal.”

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Apresentou alguns documentos relevantes (reprodução da transmissão ao vivo)

Não deixou de mencionar a “coincidência” da ordem de prisão contra sua esposa Carole, um dia antes da realização dessa coletiva e lamentou sobre isso.

Pontos levantados 

Levantou em seu discurso 5 pontos importantes:

  1. Por que tudo isso aconteceu
  2. Como isso aconteceu
  3. As acusações que ele enfrenta
  4. O estado da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi
  5. A “campanha de difamação” na mídia

Em 2017 a aliança Renault-Nissan-Mitsubishi seria para se tornar a top do mundo, quando planejavam incluir a Fiat também. Relembrou com paixão das quase duas décadas de dedicação à montadora que assumiu e a elevou à sexta do mundo.

Apontou nomes envolvidos na sua prisão

“Deixei o Japão porque quero justiça” e emendou dizendo que ama o país e seu povo. Citou nomes:

  • Hiroto Saikawa, ex-CEO da Nissan 
  • Toshiaki Onuma, ex-administrador sênior da Nissan
  • Hari Nada, ex-chefe jurídico
  • Masakazu Toyoda, ex-funcionário do Ministério do Comércio do Japão que chefia o comitê de nomeação da Nissan
  • Hidetoshi Imazu, ex-auditor interno
  • Hitoshi Kawaguchi, um ex-executivo encarregado das relações governamentais

Durante sua apresentação mostrou documentos que comprovam sua inocência em relação às acusações injustas, como ele diz.

“Vou lutar para limpar meu nome”

Mais relaxado Carlos Ghosn fez algumas brincadeiras com os jornalistas e respondeu a todos em 4 idiomas: português, inglês, francês e árabe.

Um jornalista perguntou se ele foi bem tratado pelo governo brasileiro. Disse que foi tratado com muito carinho pelo cônsul em Tóquio, João Mendonça. Mas em relação a Bolsonaro, apesar de compreender o que disse – que não gostaria de atrapalhar a investigação japonesa – pensou que teria uma acolhida melhor.

Deixou claro “quero limpar meu nome” dessa “conspiração”, em resposta a um outro jornalista, explicando que não se sente um prisioneiro no Líbano.

Um jornalista lhe perguntou em árabe se assinou contrato para uma produção de filme sobre sua saga. “Não assinei nada com a Netflix”, respondeu.

Parte dos jornalistas japoneses tiveram entrada negada

Um jornalista japonês pediu que explicasse ao público de seu país sobre sua quebra da lei. “Como poderia me defender se me foi negado esse direito?”, “fui tratado como terrorista”, disse. Além disso argumentou “se feri a lei o que me diz dos promotores que quebraram mais de 10 regras, como leaks para a mídia por exemplo?”. Complementou que alguns dos jornalistas desses veículos que deram tratamento injusto para ele não foram autorizados a entrar nessa primeira coletiva.  

Com centenas de jornalistas as perguntas não paravam. A coletiva foi encerrada cerca de 2 horas depois.

Para assistir à transmissão que foi feita ao vivo pela CNBC Television, veja o vídeo abaixo.

Fonte: reprodução da transmissão ao vivo


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