Data: 14 de maio de 2015

O Empresário e Chef Eduardo Hatada

Categoria: - Local: Data: 14 de maio de 2015

Eduardo Hatada Eduardo Henriques Hatada, hoje vamos conhecer um pouco desse Nikkei que teve seu primeiro contato com a terra de seus ancestrais no início dos anos 90.

Hatada foi trabalhar como decasségui, seguindo inúmeros outros brasileiros que viam no país do sol nascente uma oportunidade de ganhos maiores que no seu próprio país natal. Viveu no Japão por 16 anos e hoje é proprietário do restaurante tailandês Bangkok Garden, situado em Londrina-PR.

Quando você foi ao Japão trabalhar como operário, qual foi o seu sentimento e o que você fez para superar as suas dificuldades?
R: Fazia o segundo ano de Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina e trabalhava também no jornal da cidade mas percebi que aquilo não era pra mim e a cidade tinha se tornado muito pequena. Um tio meu alertou que na época o Japão estava recrutando descendentes para trabalhar em fábricas já que a mão de obra era escassa.

Não titubeei. Arrumei a documentação, as malas e parti. Naquela época os brasileiros eram mais unidos, ligar para o Brasil custava uma fortuna e jornais e revistas eram passados e repassados para o pessoal da fábrica ler e ter notícias tupiniquins. A inflação era alta e logo perdemos noção do valor da moeda brasileira.Eduardo Hatada

No Japão por sua vez a coisa era fácil no sentido monetário, trabalhávamos bastante, ganhávamos bem e sobrava dinheiro que era logicamente enviado para o Brasil com o intuito de comprar um imóvel ou montar o próprio negócio. A alimentação no início no meu caso foi complicada porque a comida do Japão era mais adocicada e com menos sódio (sal) que a brasileira mas no final me acostumei e hoje, prefiro uma alimentação mais balanceada com menos sal e açúcar. Chocolates do Brasil por exemplo estão fora da minha lista porque são doces demais.

Claro que outro problema era a língua. Saí do Brasil com um vocabulário praticamente zero em japonês mas aos poucos fui aprendendo. Demorei mais tempo que muitos dos meus amigos a falar japonês porque sempre me virava em inglês, idioma que estudei desde os 10 anos.

A saudade da família e os amigos era algo que apertava o coração no início, tanto que em menos de dois anos retornei para visitar a família. Essa saudade foi sendo suprida com novas amizades feitas no Japão com brasileiros de vários Estados bem como japoneses da própria fábrica onde trabalhava.

Sempre chamava os japoneses para almoçar ou jantar em casa nos fins de semana e eles ficavam impressionados com a nossa culinária. Talvez, inconscientemente esse tenha sido o pontapé do que viria a seguir.

Você sempre foi uma pessoa alegre cercada de amigos, em algum momento sentiu-se solitário?
R: Sim, mas fiz muitas amizades nesses 16 anos. Muitas pessoas tenho contato até hoje e com o Facebook foi possível reencontrar amigos “desaparecidos“ que de certa forma foram importantes na minha vida em determinado momento.

Você morou na Espanha, qual foi o motivo de ter escolhido esse país?Eduardo Hatada
R: Eu havia juntado um dinheiro e comprado um apartamento. Foi um período bem regrado onde tive que enviar mensalmente boa parte do meu salário. Não negava horas extras, havia meses que tinha 1 folga mensal.

Quando terminei a última parcela que devia estava bem cansado, precisando de um tempo só pra mim. Foi quando duas amigas Nikkeis me convidaram para ir a Espanha estudar a língua. Não pensei duas vezes. Tirei o visto de estudante embarquei para Barcelona para quase um ano sabático.

Claro que me empenhei nos estudos e na prova de proficiência em Língua Espanhola tive nota excepcional. Conheci pessoas de vários países, fiz muitas amizades que guardo com muito carinho até hoje.

Você ficou doente no Japão, retornou ao Brasil, abriu um bar em Curitiba e teve que retornar ao Japão… Como foi isso?
R: Os médicos acharam um cisto na minha bexiga. Mas eles não falavam se era câncer ou não…. Fiquei sem chão. Decidi retornar ao Brasil, ao menos estaria ao lado da minha família e poderia falar a mesma língua. Fiz uma cirurgia, e na biópsia não encontraram sinais de câncer. Me recuperei e decidi montar um bar em Curitiba.

Mas eu era jovem demais, sem muito dinheiro para investir, sem conhecimento da cidade e muito menos noção de como era o funcionamento de um bar. Acho que todo jovem já sonhou em ter um bar! Não durou 7 meses. Foram muitos erros a começar pelo ponto. A sensação foi de fracasso.

Pensando bem e revendo o passado vejo que foi um aprendizado necessário para não cometer os mesmos erros. Voltei ao Japão e tive que recomeçar. Minha sorte foi que voltei para a mesma empresa e mesmo setor.

É sempre positivo você trabalhar de forma honesta, não atrasando e sendo responsável em seus compromissos. Trabalhei na mesma empresa por mais de 10 anos e saí de lá com a cabeça erguida.

Eduardo Hatada (16)Quando surgiu a ideia de ser um Chef? Você sempre gostou de cozinhar?
R: Foi algo que fui aprendendo e aperfeiçoando aos poucos. Eu fazia em casa alguns pratos, mas nada elaborado. Tanto meus amigos brasileiros como japoneses gostavam do que eu preparava, mas não passava na minha mente trabalhar com comida, ainda mais tailandesa.

Fui pela primeira vez para a Tailândia por influência de um casal de amigos que havia ido passear nas férias do Golden Week. Me impressionei pelas fotos das praias e pontos turísticos e prometi que nas férias iria conhecer tudo aquilo.

Me apaixonei pelos temperos, as nuances do doce, salgado, apimentado e ácido dos curries e a sutileza de outros pratos. Desde então tenho me esforçado a aprender um pouco através de cursos presenciais e livros de culinária tailandesa.

Depois de idas e vindas ao Brasil, você se fixou na sua cidade natal e graduou-se em Gastronomia. Isso foi um “empurrão” para abrir seu restaurante?
R: Na verdade não. Entre o plano de abrir o Bangkok e a realização do mesmo foram 10 anos de planejamento. Eu enquanto morava no Japão, ia para Tailândia, fazia cursos de culinária, comprava itens de decoração e retornava ao Japão. Armazenava isso em casa.

Quando achei que já era a hora, voltei ao Brasil mas como era uma transformação muito grande resolvi me aprimorar e não cometer os mesmos erros do passado, porque como disse anteriormente fracassar doeu muito, tanto no bolso como na autoestima.

Por isso decidi fazer o curso de Gastronomia. Aprender sobre estoque, fichas técnicas, organização de salão e cozinha, cortes e temperatura de alimentos foi algo que me ajuda até hoje. Também procurei o Sebrae, fiz pesquisas e cozinhei para amigos para saber se o paladar dos pratos iria agradar aos londrinenses.

Bangkok Garden, como surgiu esse nome? Foi uma paixão por Bangkok?Eduardo Hatada
R: Eu queria que o nome remetesse rápido à Tailândia e nada melhor que o nome da capital do país. Quanto ao Garden que está no nome, é porque havia um jardim de inverno pequeno com arbustos, flores e coqueiros. Hoje esse ambiente foi reformado dando mais conforto aos nossos clientes.

O cardápio do Bangkok Garden é exclusivamente tailandês? Ou seria uma verdadeira alquimia de sabores asiáticos?
R: Mais de 80% dos pratos do Bangkok são tailandeses, mas também trabalhamos com alguns pratos vietnamitas, japoneses, indianos, chineses e brasileiros.

A aceitação dos brasileiros foi satisfatória?
R: Foi melhor do que esperava. Talvez um dos fatores que tenham ajudado no início foram os 5 pilares que considero fundamentais para que um negócio dê certo. Todos começam com P.
Preço
Propaganda – boca a boca
Produto
Ponto – localização
Pessoas – ter uma equipe antenada com o que está acontecendo no ambiente de trabalho

Eduardo Hatada (22)Quais são as cidades que você conheceu e teve inspiração para montar o Bangkok? Conte-nos como foram essas viagens?
R: Fora Bangkok, estive também em Chiang Mai, ao norte do país, Koh Samui, uma ilha ao sul, Phuket, Krabi e Ayuttahya. As viagens hoje em dia são mais a trabalho que diversão.

Claro que tento pegar um ou dois dias para descansar, visitar alguns templos, aproveitar uma sessão de massagem tailandesa. Mas o que eu gosto mesmo é procurar lugares legais que ofereçam pratos tailandeses de qualidade. Pode ser longe de onde estou mas me esforço para conhecê-los.

A louça que utilizamos no Bangkok bem como outros itens compramos na Tailândia. Tento visitar o país anualmente para fazer uma reciclagem. Nosso cardápio muda uma vez ao ano por isso é sempre bom trazer coisas novas. Os clientes agradecem.

Hoje você é uma pessoa realizada, que correu atrás do seu sonho e o resultado é o seu Sucesso. O que você diria as pessoas que estão fora do Brasil buscando construir algo no Brasil?
R: Montar algo no Brasil é algo complicado, muito mais do que se pensa. Os impostos são altos, mão de obra oferecida é péssima bem como outros serviços. Você agenda com pedreiro, eletricista e eles não aparecem e a maioria das vezes nem dão satisfação.

Mesmo assim, vale a pena trabalhar no Brasil desde que você seja um profissional antenado com o que está acontecendo. Um dos motivos do Bangkok funcionar bem é que ouvimos nossos clientes; o feedback é essencial.

O empresário Eduardo Henriques Hatada pretende expandir o Bangkok Garden para outras cidades?
R: Sim, vamos abrir um outro Bangkok Garden ainda esse ano. A maioria das coisas já foram compradas, falta acertar alguns detalhes que envolvem fornecedores, localização e  a mão de obra.

E o Japão está na lista de suas viagens novamente?
R: Sim, sinto muita saudade do Japão, de Shibuya, Harajuku, Omotesando, Shinjuku. Gostava particularmente de passear pelos museus em Ueno, o Zoológico, e as cerejeiras que floresciam em abril.

Sem contar meus amigos que ainda moram aí. Conheci Hokkaido, Okinawa, Kobe, Hiroshima e muitos outros lugares, todos fazem parte de mim de alguma forma.

Você gostaria de fazer algum agradecimento em especial?
R: Gostaria de agradecer a todos que me ajudaram na construção do Bangkok Garden. Difícil nomear sem ser injusto. Muitos me ajudaram pintando paredes, outros provando os pratos. Outros fazendo buracos nas paredes e revolvendo terra.

Tive muita ajuda, aliás até hoje tenho ajuda dos meus amigos quando preciso. O importante de tudo isso é você ter a mente aberta, perguntar sem receios. Numa sociedade como a nossa, informação é fundamental e só conseguimos quando temos a mente aberta para todo que acontece ao nosso redor.

Du, muito obrigada por compartilhar um pouco de você e que isso sirva de motivação as pessoas que tem medo, receio, ou algo que impedem de fazer acontecer. Se uma pessoa pode chegar ao Sucesso por que eu não chegarei? Pensem nisso e deixem seus comentários aqui a baixo!

Um grande abraço e muito sucesso! Até a próxima, estarei aguardando vocês!

Contato com Eduardo Hatada
Facebook – Bangkok Garden

E vocês o que acharam da entrevista? Deixem seus comentários, curtam e compartilhem aqui no site. Até a próxima, aguardo vocês, grande abraço!

Reportagem

Carla Regina Yoshii – Master Coach e Colunista Social

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