Data: 16 de fevereiro de 2015

Germano Portto – Um Autodidata que virou Maestro

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Germano PorttoGermano Portto Leite, 41anos casado, mineiro de Araxá-MG, Terra de Dona Beija. Filho de uma professora de balé e pai funcionário de uma mineradora. Já na infância foi incorporado na artes e mesmo antes de nascer na barriga de sua mãe, já ouvia música. Com uma grande capacidade intuitiva composicional, autodidata em essência, passando por várias dificuldades conseguiu se formar “Maestro“ em 2002 no curso de “Composição e Regência “ da UNESP – SP. Professor, multi-instrumentista, arranjador, compositor e produtor independente, Germano está para lançar mais um novo CD, vamos conhecer um pouco mais o talento deste brasileiro…

Desde a sua infância a música foi introduzida em sua vida, como autodidata como você encarava isso?
Isso sempre foi natural para mim, a possibilidade de criar, levar a imaginação a ser concretizada. Na área das artes, para mim as ideias sempre vinham e vêm com naturalidade. Ser autodidata foi uma consequência, pois eu queria aprimorar esta capacidade e até então a didática musical era muito presa, e isto era uma dificuldade para mim.

Estando no mundo das artes você sempre foi tímido; como a música o ajudou superar sua timidez?&nbspGermano Portto - Um Autodidata que virou Maestro
A música é mágica neste sentido, sempre fui muito tímido e até hoje carrego um pouco disto, sem entender o porquê. Sou aquele tímido que não é mais tímido depois de quebrar o primeiro gelo. A música me ajudou a desbloquear muito disto, me socializando mais com grupos de amigos, que nesta idade é muito importante. Atuei como professor de crianças e adolescentes durante anos e percebia como a música ajudava os adolescentes em sua autoestima, realmente é uma ferramenta terapêutica notadamente importante para esta idade. Comigo, foi exatamente assim também.

Aos 16 anos você formou a sua primeira banda. Como foi isso? E hoje todos estão no Mundo Musical?
Tudo mudou aos 16 anos, foi nesta idade que realmente eu percebi o poder da música pois, até então eu gostava e via que tinha um pouco de talento, contudo como criança nunca entendi muito o porquê da disciplina didática musical. Entretanto aos 16 anos, ganhei uma guitarra da minha querida avó e de meu pai. Aí tudo mudou, pois começou a ter sentido, eu teria que mostrar que saberia tocar bem aquele instrumento para mim e para os outros e a disciplina criou sentido. Catava uma revista aqui outra acolá, tirando música em fita cassete, vinil, e improvisando em cima de músicas de rádio. Compondo aleatoriamente Tudo isto me ajudou muito a desenvolver mais ainda o lado intuitivo.

Germano PorttoAos 19 anos você formou a segunda banda que acabou com a sua mudança de Araxá para ribeirão Preto; o que o levou a fazer essa mudança? Não tinha como manter?
Nesta época, em Araxá, não existiam conservatórios nem universidades, e era costume as famílias mandarem seus filhos estudarem fora. Pouco antes de me mudar eu tinha esta banda que era um trio se chamava “O Clã”. Tocávamos classic rock e grunge. No começo, apesar de amar música, mudei de lá para prestar vestibular mas não de música, isto só ficou claro mais tarde, até então a pressão familiar era muito grande para não fazer. Manter-se de música nesta época era difícil, mas creio que era muito mais moralmente que ideologicamente.

Como foi percurso desde então até passar no vestibular de “Composição e Regência da UNESP?
Eu trabalhava como office boy, fazia cursinho e tinha aulas de teoria musical em escolas, mas acabei aprendendo mesmo lendo livros e juntando as peças fui seguindo. Cheguei a prestar 5 vezes o vestibular de música.  Sempre fui bom aluno, contudo, o que me barrava era o teste de aptidão, pois não tinha base nenhuma da didática de um conservatório, por um outro lado tinha o lado intuitivo bom. Tive que aprender tudo aquilo que eu não sabia em pouco tempo. Na primeira vez que prestei, foi no curso de música popular da UNICAMP, era o meu desejo primordial. Todavia estava cru ainda e o teste da aptidão me barrava. Foi assim até a quinta vez. Neste meio tempo, entrei num coral Lírico em ribeirão, A Cia Minaz de ópera, e me descobri tenor lírico. O Coral me ajudou muito na leitura, ao mesmo tempo tive aulas na escola de música da UNAERP com um professor que me ajudaria muito, professor Armando. Me ensinou tudo que sabia e bateria, que lecionei durante um ano em Sertãozinho numa escola infantil, indicando minha aptidão como professor. Na quinta vez do vestibular, estava estudando 8 horas de guitarra por dia e com uma bagagem melhor, mas eu estava prestando UNESP também, e o destino me levaria para São Paulo pro curso de “Composição e Regência”. Lembro-me da prova, estava “Villani Cortês” na parte de composição, surpresa minha quando pediu para compor um tema livre. Fiz a festa, compus não somente um mas foram cinco e um destes temas que escrevi seria o escolhido para cantar no coro do próprio teste juntamente com outros, lembro da música, se chamava IMBIARA, que é uma avenida de Araxá que significa, Caminho das Águas.

Sabe-se que há uma distância ideológica, no meio musical brasileiro, entre o popular e o Erudito. Qual sua opinião sobre música erudita e música popular?Germano Portto
Adoro as duas vertentes. Esta rivalidade de opiniões que existe vem muito do fato da música erudita (Intelectual de origem europeia) ser durante muitos anos a própria música popular dos europeus, e a música popular brasileira vir de origem prática de culturas distintas e de origem predominante folclórica sem nenhum contexto escolástico. Contudo música é música. Na prática vejo o músico popular e o erudito de duas maneiras que é fácil entender. O músico erudito de performance tem o estudo vinculado a uma didática de prática de orquestra, então ele se dedicará desde o começo a reproduzir a música escrita, levando-o há um aprisionamento da partitura e ao não desenvolvimento da intuição. O músico popular têm em sua maioria o contrário, um desenvolvimento prático que leva a ser intuitivo e uma falta de instrução acadêmica à partitura. O bom mesmo, é você possuir as duas coisas juntando, intuição e conhecimento.

Normalmente os regentes têm o título de maestro na orquestra. Tendo você não seguido na área da regência, o que acha disto?
Sempre me pego a pensar sobre esta questão. Na verdade é um título dado ao regente erroneamente. O nome “Maestro “surgiu na época barroca com o surgimento da orquestra e significa “Professor” em italiano. Naquela época não existiam regentes e na maioria das vezes era dado ao “Compositor”, pois ele coordenava e ensinava os integrantes da orquestra.  O tempo passou e o costume de dar o nome ao coordenador da orquestra ficou, contudo, nem sempre o regente é um Professor. Desta forma, me sinto hoje mais confortável e me considero “Maestro” sim, mesmo não seguindo a regência. Pois sou compositor e professor. Já me peguei muitas vezes com pessoas não vendo isto em mim, geralmente músicos de orquestra, mas não ligo, pois eu sei o que sou e isto me basta.

Germano PorttoVocê teve dificuldades em afirmar com a sua família quando decidiu fazer música. O que você diria para os pais de filhos que querem fazer uma faculdade de música. E como ficou sua relação com seus pais depois?
Na verdade, só eu que não via que música era inevitável pra mim. Todos as minhas voltas percebiam que eu respirava isto. No começo foi difícil fazer entender que poderia estudar música, que aliás não era pra qualquer um, passar em música naquela época e hoje creio também exige muita dedicação e vontade. Eu aconselho aos pais que possuem filhos músicos, que não se preocupem, se ele não for músico não irá seguir com música. Mas se for, é melhor ajudá-los a preparar, pois mesmo que estudem outra coisa, no final voltar para a música, talvez com a segurança de um emprego, mas com o coração sempre em outra profissão. Hoje o curso de “composição e regência” não existe mais, o curso que era de 6 anos foi separado em composição ou regência. A minha turma começou com vinte alunos e terminou com sete formandos, o que foi um número alto, pois muitos desistem. Hoje a maioria prefere fazer o curso de licenciatura para dar aula. A minha relação com meus pais é boa, amo eles.

Os seus amigos da primeira banda em Araxá e os seus colegas da UNESP seguiram com música assim como você?
Apenas dois integrantes da banda além de mim seguiram com música profissionalmente. Dos meus colegas da UNESP que se formaram, um recentemente se tornou advogado, mas o restante seguiu com a música.

Tem filhos? O que você passaria a eles?&nbspGermano Portto - Um Autodidata que virou Maestro
Infelizmente não tive filhos. Eu passaria a importância do Amor e os cuidados para entender o mundo exercendo este Amor. Seria um pai presente e amigo e levaria a música para dentro de seus corações. Falaria das alegrias mas também não esconderia nada dentro do limiar da idade. A comunicação é tudo e leva à confiança, estar presente na infância leva a uma passagem pela adolescência mais confortável tanto para os pais quanto para os próprios filhos.

Quais são os outros projetos musicais que você fez quando chegou a São Paulo?
Participei do Coral do estado de São Paulo durante dois anos do coral da empresa “Roche” e outros …Trabalhei durante anos em uma fundação filantrópica com crianças carentes, dando aulas de coral, instrumentos diversos (Bateria, guitarra, violão, baixo, percussão etc….). Dois ex-alunos deste trabalho se juntaram a mim numa Banda de rock Chamada ROXXUS. Ao qual gravamos várias músicas, mas não juntamos elas em Um CD. Trabalhei com um quarteto de tango (Nos Outros), tocávamos tangos clássicos e tangos compostos e arranjados por mim.

Até hoje quantos CD você lançou?
Meu primeiro CD, gravei logo que cheguei a São Paulo em 1997. Se chamava “Reformas”, não entendia nada de estúdio, então foi uma experiência. Neste meio termo fiquei compondo músicas eruditas na faculdade e voltaria somente a gravar em 2008, mas em sua maioria música instrumental e não juntando-as em um único CD. Ainda estudando e aprendendo a mixar. Somente em 2011 que viria um trabalho em CD. “Carpe Diem “, é um CD com músicas de vertente MPB com uma pitada de pop e rock. Em todos meus CDS eu toco, produzo e mixo. Contudo no “Carpe Diem” chamei um amigo “Moisés Arruda” para tocar os arranjos de violoncelo escritos por mim. O CD depois deste se chamou “All In One Love “, músicas de reggae com letras em inglês. Depois vieram os CDs do projeto “PRIMO MILK”, que sou eu compondo as músicas e o meu primo “Givago Leite” nas letras.Primo Milk possui 3 CDS: “Você tem ouvidos pra que?” (2012), “Injeção de Ânimo” (2013), e o CD duplo “Tempo Velho e Grama Gasta” (2013). Em 2013 eu gravei um CD de rock com Letras em inglês “Rock´n Roll Vibration”.

&nbspGermano Portto - Um Autodidata que virou MaestroO fato de você mesmo produzir os seus CD, isso não fica um pouco amador?
É uma grande aula pra mim, aprendo muito. É lógico que eu gostaria de chamar os devidos instrumentistas e gravar. Contudo, por questão de praticidade tive gravar eu mesmo. São Paulo é uma cidade muito grande e encontrar disponibilidade para mexer com música é muito difícil. O processo de produção comigo é muito rápido, se tudo não vai no tempo determinado, o projeto fica engavetado. Tenho 1 CD de samba engavetado e outro de rock rural.  Espero desengavetá-los logo. Eu prometi que só irei fazer outra coisa depois disto rsrrsr. Compositor é assim, constantemente produzindo e criando. Logo acaba uma ideia vem outra.

Já participou de alguns programas de televisão? Qual foi a experiência?
Em carreira solo, ainda não… mas participei, quando em coral. E em 2010 acompanhei a cantora “Karen Souza” no Programa “Todo Seu”. A experiência é sempre muito boa. Para muitos pode ser cansativo, mas para mim é sempre um grande prazer.

Como você divulga as suas músicas? Já teve alguma parada de sucesso em alguma rádio?
Divulgar música no Brasil é muito complicado. O “jabá” ainda existe. Se pelo menos fosse justo, daria para o artista independente se divulgar. Contudo é muito alto mesmo o custo de por sua música, por exemplo, numa grade de programação de uma rádio. Não adianta ter talento, é preciso ter um recurso financeiro bem alto. A Internet deu um pouco mais de oportunidade, contudo, inflou-se de tanta gente. Que acabou retornando à grande mídia e geralmente são coisas sem nada de arte. Um Reflexo da cultura na cultura de massa.

Pretende colocar algumas em rádios?&nbspGermano Portto - Um Autodidata que virou Maestro
Se tivesse a oportunidade plausível. É lógico.

Como é a venda dos seus CDs? Como podemos adquirir?
Hoje em dia, A Mídia (CD físico) não é o grande transporte da música. Mudou muito este processo. Eu acredito que o artista está voltando a sua forma original, ter o ganho na prática, no palco. O ganho com o CD físico será cada vez mais nulo e incorporado no ganho da performance. Mesmo porque os CDs irão deixar de existir Meus CDs não estão à venda, eu sempre disponibilizo o download, lembrando sempre que as minhas músicas todas são  devidamente registradas.

Em breve você estará lançando o seu Novo CD “Disarm Rock Will Dive in You”, como planeja fazer este lançamento?
Sempre lanço os meus CDS na Internet mesmo. As vezes organizo um show deles, mas sempre é um lançamento virtual.

Gostaria de fazer algum agradecimento em especial?
Sempre agradecerei a Deus pela oportunidade de criar música e arte até o último suspiro. Agradeço a minha família, meus pais, irmãos e irmãs por entenderem e me ajudarem na caminhada como músico. A Carla Regina Yoshii pela oportunidade em compartilhar um pouco de minhas palavras aqui, e a todas as pessoas que escutaram um pouco do meu trabalho. Muita luz e música sempre a todos.

Links das músicas de Germano Portto
https://soundcloud.com/germano-portto
https://soundcloud.com/germanoportoleite
https://soundcloud.com/primo-milk
https://soundcloud.com/primo-milk2

Vídeos de Germano Portto

Fotos de Germano Portto

Tenho a certeza que você em breve estará estourando com um grande sucesso. Germano agradeço o tempo dedicado a esta entrevista e a abertura de sua vida a todos, até a próxima! Deixem seus comentários!!!

Reportagem
Carla Regina Yoshii – Master Coach e Colunista Social

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