Data: 29 de março de 2014

Daufen Bach Um poeta por excelência

Categoria:

&nbspDaufen Bach Um poeta por excelênciaClodoaldo Daufenbach, mais conhecido por daufen bach. (assim minúsculo e com esse pontinho) como ele mesmo disse. O pseudônimo foi adotado há mais de 14 anos e desde então, os seus livros publicados e toda a sua obra é assinada assim. Nascido em pleno inverno de 73 no interior do Estado do Paraná, num lugarzinho denominado Romeópolis, no município de Ivaiporã, hoje reside no extremo norte do Mato Grosso, região pertencente à Bacia Amazônica, que faz limite com o Estado do Pará. A cidade que reside, apesar do município ser maior, em extensão, que alguns Estados brasileiros e países da Europa e Ásia, possui uma densidade demográfica baixíssima. Com pouco mais de 12 mil habitantes nesse universo verde denominado Novo Mundo foi o lugar que ele escolheu para viver, onde possui belezas naturais belíssimas e recebe visitantes do mundo todo. Entre rios, que o leito some rumo ao subterrâneo e outro rio, de água mineral comprovada cientificamente, e cachoeiras abundantes, está o Parque Estadual Cristalino, maior reserva ecológica da América Latina onde está, também, o maior observatório de aves da América Latina… Daufen mora nesse lugarzinho de fauna e flora abundante com sua  esposa e filhos, onde afirma que sua família são a sua pedra angular. Abaixo ele deixa um vídeo que mostra um pouco desse lugar: http://www.youtube.com/watch?v=d1ueHnnOWCQ

Daufen, você não costuma esconder suas origens, é verdade que nasceu numa casa com piso de barro?
Sim, é verdade. Num dos poemas, ainda inédito, escrevi: (…)cresci na casinha do vale, logo ali no pé da serra, com borboletas mil, brancas e amarelas que, vez ou outra, sentavam em meu ombro enquanto mãe, com os pés na água batia roupa na pedra. Cresci na casinha que encerra, no piso rebocado da cozinha ou na lamparina de querosene acesa no quarto em que eu dormia…(…) Sou de origem humilde, mas não pobre, porque pobre é o “cão”. Quando nasci meus pais eram recém-casados, filhos de família de pequenos agricultores e trabalhavam também na agricultura. Era tudo muito simples, mas um verdadeiro lar… Talvez esses versos possam dizer um pouco mais: (…)cresci brincando no terreiro, ao som de riacho, cresci olhando a lua pelas frestas da casinha simples, da casinha de fogão de barro de paredes com panelas dependuradas… A lua passeava nos cantos de minha casa, e refletia no alumínio lustroso, asseado de minha mãe…(…)

Vocês são em quantos irmãos?Daufen Bach
Sou o mais velho de uma família de 6 irmãos, 2 homens e quatro mulheres. Hoje são todos adultos, casados, cada qual segue sua vida com a mesma humildade com que foram criados. Cada qual tem sua profissão, família e filhos. Uma verdadeira miscelânea, meu pai sempre diz que não sabe como e quando cada um seguiu e escolheu sua profissão. Eu, que sempre quis abraçar o mundo, aprendi um pouco de tudo e não sei ao certo dizer o que sou…rs. Os outros irmãos dividem-se entre Chefes de Cozinha, protéticos, fazendeiros, engenheiros florestais e professores.

Tem gente que costuma usar suas origens de uma vida sem regalias, para culpar suas atitudes erradas quando agem de má fé. Mas é comprovado que uma vida de privações financeiras não é motivo para que pessoas tenham má índole. Como foi sua infância?
Atitudes erradas e má fé não são e nunca foram consequências de uma vida privada de regalias, se assim fosse, éramos todos marginais aqui em casa. Se fosse assim, os ricos e a classe média, teriam lugar garantido no céu! Minha infância, financeiramente falando, foi igual à de qualquer menino humilde que morou ou mora na roça, mas como em qualquer outra situação, o que importa e o que define o que somos ou, ainda, o que vai ficar para a vida, para quem viveu ou vive nessas condições, é a forma de ver esse mundo, o olhar que se tem para essas pequenas coisas. Do tempo de criança, ficaram inúmeros detalhes, inúmeros flashes incrustados na memória, não sei por que ficaram, não sei o quanto foram especiais, mas insistem em cativar lugar nas minhas reminiscências … Além do que eu disse nos versos da questão anterior, lembro-me do meu pai, suado no cabo da enxada e eu levando a marmita do almoço… Lembro-me de uma mudança de casa em que, por falta de dinheiro, fizemos a cavalo, eu fui dentro do balaio de cargueiro que as mulas levavam no lombo. As brincadeiras eram com cavalos de pau, carrinhos feitos com latas de óleo e rodinhas feitas com solados de chinelo. Eram pomares, riachos, rios, cachoeiras e muitos bichos. Adorava os cavalos e andava pelos pastos, buscando os pés de araticuns maduros, os pés de guabiroba e as cerejeiras, carregadinhas de frutos vermelhos, debruçadas sobre as corredeiras do rio Vorá. Andava quatro quilômetros, a pé, para ir à escola, ia sozinho. Os pés de menino, ora pisavam poeiras e pedras, ora o orvalho congelado da grama dos pastos que a geada dos invernos rigorosos castigavam. Adorava ler, aprendi a ler com os jornais velhos que embrulhavam as compras que o pai fazia na pequena mercearia, nunca teve dinheiro para comprar um livro… São tantos detalhes desse tempo que escreveria uma enciclopédia inteira. Minha infância confundiu-se com a adolescência, minha adolescência confundiu com minha juventude e a minha juventude não sei quando virou maturidade. Creio que sou, ainda, aquele menino que se embriagava com o cheiro dos jasmineiros e caetés do terreiro da casa de minha avó, esse perfume ainda é latente, sinto-os… “frutinhas de maria preta, quando era pequeno, ou melhor, quando era criança, (pequeno ainda sou diante de toda essa grandeza que existe) mas, quando eu era criança eu levava almoço para o pai na roça, todo dia as 11:30, ia catando frutinhas de maria preta pela estrada, ia balançando a marmita naquela pressa de menino. por muitas vezes eu perdi os talheres, chegava sem jeito, sem graça e pai nem perguntava, só dizia, “perdeu o garfo de novo…”eu balançava a cabeça em aprovação, meu pai, então, improvisava colheres,com pedaços de madeira, eu ficava acabrunhado, de cabeça baixa. Na volta, parava no rio, preocupação maior era subir a ladeira, mas eu subia, eu tinha tempo para ir catando frutinhas de maria preta. Meus pés de menino eram pacientes”.

Daufen BachE sua adolescência…como foi?
Como eu disse anteriormente, minha adolescência se confundiu com a infância e a juventude. Seguramente posso falar do período, pois as atitudes, às vezes, ainda se repetem…risos. Eu comecei trabalhar na roça muito cedo, aos nove anos apareceram os primeiros calos na mão, não tive tempo de ser vagabundo (agradeço a meu pai por isso). Não comecei antes porque aos sete anos tive uma doença grave e era para ter a perna direita amputada, mas meu pai, com todo seu amor de pai vendeu tudo o que tinha e entre orações, fé e trabalho, me deu o direito de, literalmente, ter as pernas. Trabalhei pesado a minha adolescência toda e aprendi a ter responsabilidades muito cedo. Meu tempo era dividido entre trabalho e escola. Meu lazer eram os livros emprestados da biblioteca da escola, lia-os com gula nas noites, muitas vezes ouvindo ralhos por a luz ainda estar acesa, então apagava a luz, nessa época já com energia elétrica, e acendia uma vela na cabeceira da cama… Dormia sobre os livros. Era muito tímido, introvertido, meu universo particular era tão diferente daquilo que eu vivia. Sempre sonhos, muitos sonhos descritos nos versos e textos que escrevia. As meninas da minha idade, achava-as tão tolas, tão crianças… A primeira namorada, por exemplo, era cinco anos mais velha que eu. Sempre tinha a impressão de ter nascido no tempo errado, que estava fora de contexto. Em tudo era diferente dos outros. Não gostava de festas e bailes, lia sempre, escrevia, estudava (ainda estudo), a fisionomia diferente, os cabelos, sempre longos, eram motivos de preconceito naquele lugarzinho interiorano e querido, não gostava das músicas que os meninos da minha idade gostavam… Nos domingos quando se reuniam para jogar bola e paquerar, eu pegava meu cavalo e ia para o rio. No lombo do cavalo, em pelo, aventurava nos poços mais profundos. O cavalo resfolegava nadando e, agarrado a crina, eu nadava junto. Enfim, como eu já disse, vivia meu universo particular. A falta de recursos financeiros nunca limitou o adolescente Daufen Bach. Amadureci antes do tempo, mas nessas quatro décadas, preservei o espírito infantil e a impetuosidade do adolescente. De vez em quando, a brincar com meus filhos, ainda ouço a famosa frase: “Tu parece que não teve infância?!” “lembranças de um menino magrelo” quando eu era ainda puberdade, era moleque tímido, moleque punheteiro. As meninas mais belas, mais ousadas, sempre estavam muito além, eram divas, princesas, deusas bailantes que nos meus sonhos rasgavam as saias…virgens a provocar….arquitetava eu, feito Haroldo de Campos, versos do nada, era invernada erma, sofria aragens, sol escaldante mas tinha viço e formosa visões eróticas, bestagens de menino a vislumbrar sonhos impossíveis…(…)

Você tem o dom de escrever desde a infância. Com que idade escreveu seu primeiro livro?
Eu não me recordo quando comecei a escrever, em todo o período da vida que tenho recordações claras, sempre esteve ao meu lado um lápis, uma caneta e um pedaço de papel. Tudo o que me cerca, de alguma forma, virou texto ou versos. Mas essa coisa de livros, propriamente ditos, é muito nova, comecei a organizar em 2008, antes não tinha a pretensão de ser escritor, nem me passava pela cabeça a ideia de publicar alguma coisa, sempre escrevi pelo prazer de escrever e para dar vida e vazão aos demônios e anjos que existem em mim e vivem cutucando meu consciente e inconsciente. Escrever é meu ópio, minha catarse. Em 2008, por influência de uma pessoa muito querida, eu comecei a revirar os baús, os cadernos antigos, as folhas amassadas, as anotações já amareladas e descobri que a pilha de papel que eu carregava era maior do que eu imaginava. Então comecei a organizá-los por temas, por poesias afins e a digitar todos, pois, até então, tudo estava escrito a mão… Ainda hoje não consigo escrever diretamente no computador, todos os escritos conhecem, primeiramente, a tinta da caneta e o papel.

Quantos livros escritos até agora?
São inúmeros os livros escritos, organizados tenho mais de 20, mas existem rascunhos que esperam para ser digitados. Quando me sobra um pouco de tempo e estou com tesão para escrita, aproveito para ir digitando e salvando. Como tenho a mania de escrever todos os dias, sempre vai ficando algo nos cadernos ou guardanapos de botecos, folhas avulsas… Nessas andanças muitas coisas se perderam, ficaram para trás, na medida do possível vou guardando-os.

E publicados?Daufen Bach
Publiquei apenas dois livros e, desses dois, apenas um pode ser encontrado em livrarias virtuais, o outro não está mais disponível, retirei de circulação e estou reeditando para uma segunda edição. Mas inúmeros textos estão espalhados por esse mundo virtual, em diferentes continentes, países e línguas. Outros impressos em revistas literárias nacionais e internacionais, em antologias que participei. Até pouco tempo eu tinha um blog onde estavam publicados outros tantos textos, mas devido a falta de tempo para atualizações e problemas com plágios, deixei off na rede. Alguns estão em áudio, vou deixar aqui o link de um deles: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=d8Y5bzkjSns

É difícil para um escritor publicar suas obras? O custo é alto?
Isso é muito relativo, pois existem inúmeras formas para se publicar um livro, mas em termo geral eu diria que não, que nos dias de hoje é facílimo! Como diria o ex-presidente Lula: “Nunca na história desse país” foi tão fácil para o autor divulgar ou publicar seus textos, livros e até coletâneas inteiras. A facilidade que o mundo virtual propicia para os autores, através de editoras on line, é incrível, mas essa facilidade tem um custo, afinal ninguém dá nada de graça ou entra no mercado para perder, todos querem faturar e faturar alto. Essa facilidade para publicar custa caro para o autor. Embora o recurso não saia, diretamente, do bolso, as editoras lucram quando cobram preços exorbitantes para imprimir a obra e vender para o consumidor. O autor publica e não ganha quase nada, o consumidor paga um preço alto e a editora, que não pagou por aquela obra, que ganhou a matéria prima (o livro), fica com os possíveis lucros. É um contrato injusto que explora a ansiedade, principalmente do autor iniciante, em ser publicado. É fácil publicar? É sim! O custo é alto? Num primeiro olhar não, mas depois quando o autor não vê resultados de seu trabalho, irá perceber que doou a sua obra! É preciso, sobretudo, saber gerenciar a sua produção artística. Estabelecer o que se quer, o escritor tem que ser seu próprio empresário. Esse assunto é amplo e merece discussão, mas como iria me alongar demais falando sobre isso, deixo aqui dois links de textos que escrevi, para quem interessar e tiver curiosidade sobre o assunto:
1)Publicar um livro? Onde? Como? O que o autor precisa saber? http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.br/2012/05/publicar-um-livro-onde-como-o-que-o.html
2)Publicando um livro de forma independente http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.br/2012/05/publicando-um-livro-de-forma.html

Daufen BachMuitos consideram a literatura privilégio das pessoas cultas e com isso faz do livro um artigo de luxo. Ainda há resistência do brasileiro em praticar a leitura?
Essa resistência está se quebrando. Pesquisas apontam que nesse ano, 2014, os brasileiros irão gastar mais de 40 milhões com compras de livros. São valores expressivos para um mercado que cresce a cada ano. O que é difícil é o acesso ao livro, se consideramos o valor do salário mínimo e os valores dos livros, ele continua sim sendo um artigo de luxo. O brasileiro lê, o que ele não tem é dinheiro, recursos para comprar bons livros, existem outras necessidades básicas que precisam ser sanadas e ele não pode comprometer o seu orçamento.

A leitura deveria ser um hábito porque só assim o povo teria uma visão mais ampla da vida. Em sua opinião falta incentivo à leitura?
Você conhece, mais profundamente, uma pessoa pelos livros que ela lê. A leitura é espelho e reflexo daquilo que sentimos, fazemos ou queremos. Existe o interesse pelos livros e pela leitura, se o processo não acontece é porque faltam incentivos, principalmente do Ministério da Cultura e do Ministério da Educação, que propiciem ao leitor o acesso ao livro por um custo mais baixo e, também, propiciem ao autor a publicação de livros através de projetos que promovam essa interação entre autor e leitor. Os entraves burocráticos, as dificuldades de se publicar um livro com recursos públicos são imensas, captar recursos e prestar contas desses recursos, exige do autor conhecimentos que nem sempre detém. Outro estrangulamento promovido pela atual politica de publicação é a priorização de autores já consagrados em detrimento do autor que está iniciando. Paulo Coelho, por exemplo, conseguiria milhões do governo para publicar, Daufen Bach, jamais conseguiria! Assim é com Joãos, Marias, Anas, Pedros…etc. A visualização midiática fala mais alto e o ler e o publicar são tratados como questão comercial pelas instituições que tem a obrigação de mostrar o reverso dessa medalha. A literatura é gerida, tanto no setor público e privado, sob uma ótica capitalista, uma ótica de comércio, quem vende tem espaço, quem não vende ou é novato, esses ficam excluídos. O autor, hoje, vive um dilema, ele precisa vender, precisa representar bem, ser um bom “garoto propaganda” e, sobretudo, ser um bom administrador. Diante dessa gama de funções, a qualidade literária, por muitas vezes, fica esquecida.

Creio que falta investimento na educação, porque vemos nas redes sociais que o brasileiro escreve errado demais. A educação esta deteriorada?Daufen Bach
A educação pública no Brasil, por parte dos governantes, parece nunca ter sido prioridade, sempre viveu em busca de números que possam representar melhor o Brasil internacionalmente. O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é uma piada, os números até aumentam, mas o aprendizado não! Nós nunca tivemos um sistema educacional genuíno, sempre importamos cópias de modelos educacionais que deram certo em outros países que possuem realidade e cultura diferente da nossa. Ignora-se até os pensadores da educação brasileira, muito se fala em Paulo Freire, mas pouco se faz de Paulo Freire… Vivemos modelos aquém das nossas realidades. Nos últimos 10, 12 anos, em comparação com anos anteriores, a melhora foi até significativa, mas essa melhora é na maior parte estrutural, temos escolas melhores, temos estrutura logística melhor, temos melhores equipamentos, mas o investimento primordial que deve ser feito, não foi feito ainda! Os educadores que são os agentes diretos para que aconteça essa melhoria de ensino, não vivem realidade diferente dos professores do início do século XIX. Tudo mudou, mas eles continuam lá na frente com um quadro negro e um giz não mão, recebendo um ínfimo pagamento que os obriga a “fazer bicos” em outras profissões para aumentar a renda doméstica. Gastam se milhões para comprar notbooks, tablets, sistemas de gerenciamento, mas o professor não consegue comprar sequer um smartphone com o salário que recebe, sequer consegue pagar um curso de informática avançada para aprimorar seu desenvolvimento em sala de aula. Quando consegue pagar o curso, não tem tempo para fazê-lo, a falta de adicionais, de pagamento de horas atividades, obriga-os a trabalhar em tempo integral e utilizar seus domingos e feriados para elaborarem e corrigirem provas e trabalhos. Os objetivos contidos nos parâmetros curriculares nacionais para a educação básica são muito bem escritos, bem elaborados e exprimem o que deveria ser! Estão lá às metas que cada criança deveria alcançar dentro das respectivas áreas de ensino, mas na verdade, nem dez por cento dos alunos atingem aquelas metas e todos, de acordo com o modelo de educação, são aprovados da mesma forma. É preciso que os números sejam positivos, o que vai acontecer depois é outra história! O governo finge que a educação está mil maravilhas, os professores, com todas as suas limitações, fingem que ensinam, e o aluno finge que aprendeu, fecha-se o livro, alimentam-se as planilhas e gráficos e tudo fica como queriam que ficasse, “as metas, todas, alcançadas!” Toda essa bagagem feita de metades e pouco aprendizado, vestidas de máscaras de educação de qualidade, ingressam no ensino superior. Nunca houve tanta oferta de ensino superior no Brasil, mas também nunca houve tanta reprovação de universidades e faculdades e aprovação de profissionais incapazes de exercer a função por falta de conhecimento. O que se tem de cursos de graduação on –line, pós graduações e até mesmo mestrados e doutorados, não está no gibi, mas a qualidade desse serviço, sobretudo os métodos de avaliação, são questionáveis. Além de tudo isso, a educação brasileira, por inépcia em dar educação de qualidade a todo o seu público, independendo de classes, credos ou raças e influenciada pelas desigualdades sociais e má distribuição de rendas, legitima o racismo. A classificação de seus alunos como pertencentes a diferentes classes sociais rotula-os e cria estereótipos. A política de cotas para negros, a política de cotas para alunos de baixa renda, é o atestado maior de que a educação no Brasil anda muito mal das pernas… Essa política assume a condição de que não oferece ensino com igualdade a todos. Mas essa questão é muito discutida, ela serve a interesses. Os negros, em sua maioria, aceitam por ser essa uma forma de ingresso no nível superior, os mais carentes também, pois de outra forma não conseguiriam esse ingresso. Essas políticas são regulamentadas e aceitas, explorando necessidade do povo e não avaliando qualidade de ensino, mascarando assim a falta de investimentos e o não atendimento da população em geral. Enfim, é toda uma politica educacional defasada, onde precisa se rever os planos de carreiras dos profissionais de educação, que precisa rever modelos educacionais, pois é inadmissível que alunos de realidades diferentes, num país que possui um contexto cultural e social que se distingue de região para região, sejam tratados da mesma maneira, com uma mesma grade curricular. É preciso que as leis sejam revistas, tanto aquelas que estão ligadas diretamente a educação escolar, quanto àquelas que regem os direitos das crianças e adolescentes. É preciso reconstruir, refazer todo um sistema. A educação brasileira, hoje, está igual oficina de carro velho, não adianta colocar peças novas em máquinas que não dão suporte. É preciso repensar, é preciso reconstruir em outros moldes o fazer educacional.

Ultimamente o que temos visto na mídia são escolas com falta de estrutura, sem segurança, classes superlotadas, drogas e violências colocando a vida de alunos e professores em risco, e ainda por cima profissionais mal remunerados. Isso quando não é o professor vítima dos próprios alunos. Porque existe tanta negligência na educação?
Eu sou um apaixonado pelo Brasil, eu me emociono com o Hino Nacional, com a Bandeira Nacional tremulando e já me chamaram, muitas vezes, de Policarpo Quaresma, numa alusão ao romance de Lima Barreto, pela maneira ferrenha e idealista com que defendo as coisas de meu país. Quando o assunto é educação esse idealismo é mais explicito, eu fico indignado, entro para o debate e para as argumentações, sou fruto dessa educação pública, sei o que faltou para mim e “percebo o que falta hoje nas instituições de ensino…”A educação, seja onde for, está vinculada diretamente a toda uma questão social que o aluno está inserido, corrigir alguns pontos é como ter o corpo coberto de feridas e curar uma apenas. Sob o meu ponto de vista, “precisa-se” de todas essas reformulações que citei na resposta anterior. A negligência é política, como corrigir se não é de interesse político que a melhoria da educação seja uma realidade incontestável? Um povo ignorante e pobre e muito mais fácil de ser manipulado.! Como eleger políticos compromissados se o povo é “mal educado” e não sabe fazer suas escolhas, se não sabe pautá-las?! Acredito que a grande maioria dos brasileiros não lembra o nome do deputado que votou na última eleição! De quem é a culpa…? Rosseau afirmou que o “poder emana do povo e para o povo” e, essa frase célebre, configura o 2º artigo da Constituição Brasileira. Enquanto nós, brasileiros comprometidos com o bem estar de nossos cidadãos, não tivermos plena consciência do que isso significa essa paisagem social não se modificará. Continuaremos nesse eterno reclamar e não ver soluções. É preciso assumir essa responsabilidade! Elegemos corruptos e crápulas que sugam as verbas públicas e nos abstemos! Concluímos: O problema é lá, não é meu! Claro que o problema é meu! Eu ajudei a montar esse cenário, é minha responsabilidade desmontá-lo! Ser oposição e reclamar aos quatro ventos é fácil, mas se não tomarmos nenhuma atitude, não muda nada! Muito se vê campanhas para votos nulos na internet, num primeiro olhar parece válido, mas se acontecer de fato, o que isso muda? Teremos que eleger outros que, também, se não tivermos uma opinião política formada e um conhecimento mais profundo de causa para elegê-los, farão as mesmas coisas… Essa negligência é resultado de toda uma conjuntura social.

Eu acredito que escola exista para ensinar e formar profissionais. Quanto ao quesito educação, na verdade cabe aos pais educar seus filhos, afinal educação é coisa que vem de berço. Há quanto tempo atua como eDaufen Bachducador?
Um senhor muito simples me disse certa vez: “Os pais educam, a escola ensina e a polícia pune!” Ele tem razão! Educação vem de berço… A família hoje, infelizmente, parece ser uma instituição falida. Os conceitos e valores que instituíam os modelos a serem seguidos, passaram a ser questionados. Há uma influência midiática, que prioriza o comércio, que instiga a realização dos desejos e promove uma liberdade que a sociedade não está preparada para assimilar. Gritam liberdade, mas esquecem de que liberdade envolve responsabilidade, que toda liberdade sem consciência do seu conceito, implica em libertinagem e anula-se. A velocidade com que se transformou a sociedade e a dinâmica desse processo enveredou-nos em um rumo que, confesso, tenho medo das consequências disso tudo para as gerações futuras. Eles não estão/estarão preparados para assimilar isso tudo e por desconhecimento, aceitam/aceitarão como normalidades. A explicação é sempre a mesma: “os tempos mudaram”. Os tempos estão mudando desde que o mundo é mundo, mas nem por isso pais deixaram de serem pais e filhos deixaram de serem filhos, não importa o que aconteça ou quais serão as opções dos filhos, sejam elas religiosas, sexuais e/ou profissionais, filhos sempre serão filhos e isso implica aos pais, a quem os gerou, a responsabilidade de educá-los e guiá-los, esquecer isso é transformar-se no mais primitivo dos animais e renegar a humanidade que existe em nós. Educador… Educar é uma palavra que originou etimologicamente de “educere”, um conceito amplo que pode ser entendido, como “eduzir”, ou seja, conduzir de “dentro para fora”. A formação do caráter, a assimilação dos valores éticos e morais, cabem principalmente, aos pais. A escola não pode, jamais, abster-se dessa formação, mas não pode se responsabilizar pela falta de estrutura da família e ser cobrada por isso. Se for para ser assim, que se mude os modelos de ensino, que se reestruture todo o sistema educacional, que o sistema seja repensado e criadas ferramentas que permitam ao educador, assumir essa função. Eu sou educador há 15 anos, mas desde os 14 anos de idade já atuava como liderança em grupos de jovens rurais, representante em sindicato de categorias e palestrantes de cursos para as, ditas, “minorias”.

Vamos falar sobre sua arte, porque em relação a educação brasileira só nos resta ter esperanças de que haja consciência politica para melhora-la. Suas obras são somente de poemas?
A maioria da minha obra, já organizada, são poesias e prosa poética. Os livros já prontos são todos de poesias, mas também escrevo romances, contos, artigos…Estou escrevendo, de forma concomitante, três romances. O primeiro um romance regionalista, baseado em fatos reais ocorridos durante o período dos grandes garimpos no extremo norte de Mato Grosso; o segundo é um romance urbano, todo fictício e um terceiro livro, onde me aventuro, inspirado em Borges, na literatura fantástica. Além desses livros, sempre estou escrevendo contos, outras poesias e literatura infantil.

Você tem projeto de uma coletânea infantil. Já está em andamento?Daufen Bach
Sim, tenho esse projeto, está em andamento e os conteúdos dos primeiros volumes estão prontos. Como é uma coletânea onde os personagens vivem diferentes aventuras e algumas dessas aventuras estão em 2 (dois) volumes, só será publicada quando todos estiverem terminados. Por ser uma obra de cunho filosófico aplicado ao universo infantil, exige muito cuidado, pois escrever para criança é umas das tarefas mais difíceis, repassar valores e conceitos de forma subliminar exige responsabilidade. Estou adorando fazer, mas como todos meus escritos, eles não têm data para término, então um dia a coletânea estará pronta… rs.

O livro Breves Encenações, Sobressaltos foi escrito em menos de 30 dias. Como conseguiu?
Eu sempre fui um leitor compulsivo e, também, um escritor compulsivo, mas essa compulsão tem fases. Já fiquei quatro anos escrevendo todos os dias e não conseguia dormir se não escrevesse algo, isso chegou a comprometer meu trabalho e criar problemas em casa também. Irresponsavelmente escrevia a ponto de deixar de lado minhas obrigações. Por outro lado, também já fiquei 2 (dois) anos sem escrever uma linha, um verso sequer, olhando e relendo tudo que já havia escrito e achando uma tremenda porcaria! Breves encenações, sobressaltos, fechou um desses ciclos em que era imperativo escrever. De repente o livro surgiu inteiro e as mãos não conseguiam acompanhar o pensamento, trabalhava durante o dia e ficava, praticamente, a noite toda escrevendo. Nos finais de semana e intervalos do trabalho, sempre estava com o caderno e a caneta nas mãos dando vazão aquela enxurrada de ideias. Quando terminei, não sabia que tinha terminado, apenas esgotou tudo e fiquei dois anos depois, sem escrever nada. Um dia surgiu uma proposta e o publiquei no início 2012. Até hoje eu não o vi publicado, não solicitei exemplares da editora e não peguei a cópia física do livro em minhas mãos. De fato foi breve, um sobressalto… A sinopse, o prefácio e alguns poemas presentes no livro, podem ser lidos nesse link: http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.br/2012/05/livro-breves-encenacoes-sobressaltos.html

O livro Tessituras (do intervalo entre o grito e o silêncio) é um livro de múltiplas facetas. Fale sobre ele.
Quando comecei a organizar meus escritos e publicá-los no meio virtual, as pessoas que passaram a me acompanhar, lendo as minhas publicações, diziam que era impossível me reconhecer pelos versos. Ora os versos eram carregados de lirismo, ora tinham uma carga metafísica de questionamentos totalmente diferente, outros versos imergiam no contexto social e, muitos outros, vicejavam uma sensualidade latente… Eu não quis adotar pseudônimos diferentes para cada temática, preferi assumir essa “metamorfose ambulante” e minha dualidade, bem como os complexos de autor, mas os organizei de uma forma em que os versos que possuíam certa afinidade, ficassem num mesmo livro. Coube ao “Tessituras” guardar meus questionamentos, minhas dúvidas, minhas respostas e toda a dualidade perante os sentimentos, as causas sociais, as crises existenciais e a leitura de mundo. Junto com outros três livros, também inéditos, é um dos que eu mais gosto. Existem textos escritos no ano que foi lançado, como também existem textos escritos a mais de 18 anos. Esse livro perpassa, tanto períodos de “bonança”, como, também, períodos muito difíceis em minha vida… Embora não esteja mais a disposição nas livrarias (estou reeditando para uma segunda edição), se alguém quiser ler a sinopse ou o prefácio, bem como alguns poemas contidos nele é só clicar nesse link: http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.br/2011/06/daufen-bach-tessituras-do-intervalo.html

Você tem textos publicados no exterior. São sobre que temas?
Os meus textos publicados no exterior, são poesias e prosas poéticas. Alguns foram publicados em antologias impressas na América do Sul. Outros foram publicados em revistas literárias impressas em Paris, na França; em Pádova na Itália, em Lisboa em Portugal e em Barcelona na Espanha. Em sítios on line, estão publicados em um grande número de países, nos diferentes continentes.

É Cônsul dos Poetas del Mundo desde quando?Daufen Bach
Sou Cônsul dos Poetas del Mundo, desde fevereiro de 2006. Tive o privilégio de ser convidado pela querida poeta e escritora, que representa o Brasil na Associação, Delasnieve Daspet e aceitei com muita honra.

Quais seus escritores preferidos?
É impossível relacioná-los! Sou um rato de biblioteca e leio todos os gêneros literários. Existem os poetas brasileiros como Ferreira Gullar, Manoel de Barros, Vinícius de Moraes, Drummond, Leminsk, Haroldo de Campos, Hilda Hilst, Bilac, enfim, são tantos, cada qual com seu encantamento que não me atrevo coloca-los numa ordem de importância. Há, também, os romancistas: Guilherme Dicke, Guimaraes Rosa, Jorge Amado, Mario Palmério… Os escritores sul- americanos como Borges, Mario Benedetti, Pablo Nerruda; os clássicos da literatura universal como Tolstói, Milan Kundera, Fiódor, Niestzche… Os incomparáveis Fernando Pessoa e Saramago! Impossível listá-los! Eu amo a boa literatura!

De todos os livros que leu, tem algum que marcou de maneira especial?
Muitos livros me marcaram, mas existem alguns que não me canso de reler. São eles: O livro do desassossego de Fernando Pessoa, assinado pelo seu heteronômio Bernardo Soares; Chapadão do Bugre de Mario Palmério; O mundo de Sophia de Jostein Gaarde; As obras completas de Jorge Luis Borges; Manoel de Barros e Leminsk… Existe uma infinidade de autores que, se tivesse tempo, relia-os todos!

Inclusive seus poemas foram traduzidos em vários idiomas?
Eu não sou poliglota, me debato com o português e arranho o espanhol, leio com dificuldade o italiano e o inglês, mas nessa caminhada literária, encontrei e fiz muitos amigos, também escritores, e tive o privilégio de ser traduzido por grandes nomes da literatura contemporânea em diferentes países. A poeta Violeta Boncheva, nascida da cidade de Stara Zagora, na Bulgária, traduziu alguns de meus poemas para o búlgaro; um dos maiores poetas franceses da atualidade, nascido em Haskovo, Bulgária mas radicado em Paris, Athanase Vantchev de Tracy, traduziu outros poemas para o francês; Rosaria Ferracane Asta, poeta italiana, nascida num campo de concentração em Cremona, na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, traduziu alguns versos meus para o italiano; Francesco Mama, da cidade de Pádova e dono da Revista Literária Inverso, traduziu alguns versos para o espanhol e para o italiano; Pere Bessó, traduziu para o Catalão, enfim, vários amigos, também escritores, da América Latina fizeram traduções para o castelhano e espanhol, outros, ainda, para o inglês… Esse leque de amigos levou minha poesia para diferentes países.

Daufen BachConte um pouco sobre a Associação Poetas del Mundo e sua importância literária.
Poetas del Mundo é uma Associação com sede em Santiago, no Chile, e consiste num movimento internacional de poetas que colocam sua arte a serviço da humanidade. Não está ligada a nenhuma instituição ou governo, trabalha de forma independente. O Secretário Geral e fundador da Associação é o poeta chileno, Luiz Arias Manzo e o Presidente Mundial é o poeta francês Athanase Vantchev de Tracy. Para mim a principal importância desse movimento, é unir poetas do mundo, de estabelecer um vínculo com autores que, mesmo falando idiomas diferentes, se entendem através da linguagem universal da poesia e se comprometem em trabalhar para o bem estar da humanidade. O primeiro parágrafo do Manifesto diz o seguinte: “Poetas do Mundo, chegou o momento em que devemos unir as forças para defender a continuidade da vida: somos os guerreiros da paz e os mensageiros de uma nova etapa na humanidade. Somos os poetas da luz, e a luz é o veículo que nos conduz à convocação que, por nenhum motivo, devemos deixar de aceitar. Vivemos atualmente o processo de morte de uma etapa degenerada e o nascimento de uma nova era onde o poeta tem um papel determinante”. O manifesto é longo, mas deixo aqui o link do site para quem quiser ler e conhecer um pouco mais sobre essa Associação – http://www.poetasdelmundo.com/manifiesto.php

Você possui uma revista online. Fale sobre o conteúdo dela.
Sim, eu tenho uma revista online intitulada Revista Biografia. O conteúdo da Revista Biografia é voltado para a arte em geral. Estão presentes nas publicações autores/artistas de mais de 60 países, desde poetas, escritores, artesãos, pintores, representantes dos mais diversos segmentos das artes plásticas e gráficas. Também são publicados eventos culturais, concursos, informações relativas a produção cultural e uma infinidade de artigos. Estão nos registros de visitação, pessoas de mais de 120 países. Criada em 2010, a revista caminhou, nos dois primeiros anos, buscando espaço e em 2013, deu um salto, tanto qualitativo quanto quantitativo. Graças ao trabalho desenvolvido recebemos no último no último ano, mais de 1 milhão de visitas. São, aproximadamente, 1400 seguidores no google friend conect, a página do face, criada recentemente, já conta com inúmeros seguidores e mais de 10 mil seguidores em sua new lester. Conseguimos reunir num mesmo espaço e colocar numa mesma mesa, um grande número de agentes do “fazer artístico”, artistas renomados e iniciantes se confraternizam sem barreiras de credos, raças, gênero, Línguas ou posição social. Deixo aqui o link de uma página que responde as principais questões que recebo via e-mail sobre a Revista. Quem quiser saber um pouco mais ou, quem quiser participar, seja como autor ou colaborador, é só clicar:http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.br/p/texte.html

Existe a possibilidade dela se tornar uma revista impressa? Há projetos novos em estudo?
Existe sim essa possibilidade, inclusive a Revista receberá, brevemente, um site novo, mais profissional, mais amplo e todos os registros que permitirão que seja impressa e a vinculada a uma editora, com cadastro nacional de pessoa jurídica. Claro que tudo isso envolve custos e a Revista Biografia, nunca teve cunho comercial, todo trabalho realizado hoje é gratuito, não temos patrocínios, não temos parcerias financeiras e o trabalho é feito em momentos alternativos. Tanto eu como a outra administradora, temos nossos empregos e obrigações para cumprir. A Revista caminha através de grande esforço e perseverança, aliados ao amor pela arte. Imprimi-la vai depender de aprovação de projetos e parcerias com empresas e instituições que queiram divulgar a arte.

Além de escritor e educador, exerce outra profissão?&nbspDaufen Bach Um poeta por excelência
Na década de 90 escrevi esses versos no início de um poema: “..eu antes tinha oficio de ser menino, depois, entre agruras, cresci, fui ser peão, fui ser roceiro, fui ser servente, fui ser pedreiro, fui ser carregador de caminhão. depois colocaram em minhas mão uma caneta, fui ser aluno… sem muito saber …fui ser professor, aprendi a debater-me com a vida…(…) Depois disso muitas coisas aconteceram, eu sou um curioso e um autodidata. Além da escrita e da função de educador, também sou técnico agropecuário (não exerço), diagramador, editor, designer gráfico e jornalista. Ultimamente, encantado pela lógica da computação, estou aprendendo a ser web designer… Os meus dias são sempre muito curtos.

Você é um homem muito envolvido com a área cultural em geral, mas também em causas socioambientais e politicas. Na sua opinião qual a melhor solução para o Brasil se tornar um país digno pra futuras gerações?
Eu creio piamente que toda transformação social, política, econômica ou cultural, está intimamente ligada à educação. É impossível uma nova tomada de atitudes, o comprometimento através de uma nova postura, se não houver entendimento de causas e efeitos e, esse entendimento, só é possível com conhecimento. O Brasil é um gigante jovem e rico que, quando não está com os olhos vendados, está com a perna quebrada ou com os braços presos a tipoias. Quando tudo está certinho, pronto para andar e trabalhar, alguém vem e passa uma rasteira ou cochicha no ouvido uma dúvida que o coloca a mercê. É preciso conhecimento para buscar novos caminhos e autonomia para gerir essa busca…É preciso um pouco mais de ousadia. O povo brasileiro é um dos povos mais servis que conheço. Um povo feliz, um povo receptivo, um povo que gosta de festa, mas, também, um povo muito mal acostumado. Reclama das coisas que os outros fazem, mas não auto avalia a legitimidade e as consequências das coisas que está fazendo. Por exemplo, é inadmissível que uma população se indigne por ter ficado em oitavo lugar numa copa do mundo e fique calado quando a educação fique no octogésimo lugar no ranking mundial. É inadmissível que uma população aceite que seja investido de 6 a 10 milhões de reais, de recursos públicos (por cidades) em enredos de escola de samba e fique calado quando não são investidos nem dez por cento disso em construção de bibliotecas. É inadmissível que um povo esqueça a corrupção que assola um país e reeleja os mesmos corruptos em eleições após eleições… Só educação e conhecimento são capazes de mudar esse quadro. Para o Brasil se tornar um país digno para as futuras gerações, há que se investir muito em educação.

Os manifestos que tem acontecido no Brasil, na sua opinião esta conseguindo algum resultado positivo?
Resultados positivos sempre existem, mas são pontuais, resolvem, em termos, determinados problemas, mas se criam outros. É tudo muito breve, as pessoas protestam, falam, brigam e se dispersam poucos dias depois tudo está igual novamente. Outra dificuldade é o assumir responsabilidades, muito se fala, muito se briga, mas na hora de assumir as responsabilidades e dar a cara a tapa para resolver os problemas, somem todos. Não há uma contextualização geral e as coisas terminam em resolver o “meu problema”. Resolveu o meu problema o outro que corra atrás dos problemas dele. O conceito de sociedade não é assimilado como deveria. Isso tudo sem falar das ações de vândalos, grupos, que põem/puseram à prova a legitimidade dos protestos. Mas sem dúvida que é melhor isso do que o alheamento total..

&nbspDaufen Bach Um poeta por excelênciaÉ verdade que se considera um homem austero?
Não sei se austeridade é o melhor adjetivo, mas é o que mais se aproxima. Eu costumo dizer que nasci no tempo errado, que estou, terrivelmente, fora do meu tempo, deveria ter nascido lá pelos idos de 1950…risos. Tive uma educação rígida, pautada em valores morais e severidade ética e, isso, incrustou e ficou em mim, me guio pela educação que recebi… Sou das antigas! Risos.

E seus  filhos? Algum deles  herdaram o talento do pai para escrever?
Todos herdaram, principalmente, o gosto pela leitura, mas o escrever, acredito, ainda não é “a praia deles”. Pablo, o mais velho, gostava de contar histórias e aos 9 anos escreveu seu primeiro e único poema:Minha rapunzel
Minha rapunzel tem as tranças que nem chegam ao primeiro andar alguém conhece uma fada ou feiticeira que faz tranças do olhar? Começou e parou por aí, preferiu o skate, os videogames. Quem sabe quando conhecer a dor adocicada dos amores, a inspiração volte…rs. Leon de vez em quando me aparece com algum escrito, mas ele guarda todos, herdou a vocação de colecionar rascunhos…rs.

É muito severo na educação deles?
Eu tenho 40 anos e, ainda hoje, quando chego na casa e meu pai ou se encontro ele na rua, estando em público ou não, a primeira coisa que digo é: “ a sua benção meu pai”, isso toda vez que eu o encontro e toda vez que me despeço… Todos meus irmãos agem da mesma maneira. Tivemos uma vida simples, mas uma educação rígida. Em casa, quando dois adultos estavam conversando, não era permitido crianças interferirem na conversa; se a mesa estava posta, primeiro as visitas, depois meus pais e só depois eram as crianças; se tirássemos notas ruins na escola, o problema era resolvido com a gente, meus pais não iam à escola reclamar com professor, pelo contrário, iam sempre para saber se estávamos nos comportando; se fôssemos advertidos por professores, em casa a coisa complicava; se respondêssemos mal uma pessoa mais velha, éramos castigados; se estivéssemos em um ônibus, sentados, e entrasse uma pessoa mais velha, ou gestante, ou ainda com qualquer deficiência, não tinha essa de esperar para levantar e dar o lugar; se chegássemos em casa com algo de alguém, eram mil explicações, tinha que dizer de onde veio, como veio e porque veio; o pai não chamava atenção duas ou três vezes, era uma só e, em alguns casos, só o olhar já dizia tudo… Nunca brigamos entre irmãos ou agredimos fisicamente qualquer outra pessoa, sabíamos os limites, sabíamos o quão importante era o trabalho, sabíamos que os nãos nem sempre eram negações, mas necessidades… Crescemos assim e tornamos adultos seguindo essas regras. Eu repasso e cobro esses valores e atitudes de meus filhos, educo-os para que a polícia ou o mundo não os puna depois, para que saibam distinguir o que é certo do errado. Os “nãos”, quando necessários, estão sempre presentes. Isso não significa que sou um “ogro”, que não amo meus filhos, pelo contrário! Quando estamos nos divertindo juntos, não se distingue quem é mais criança se eu ou eles, quando estamos com os cadernos de escola, o diálogo sempre flui, se estou deitado no sofá assistindo televisão, meus filhos se aninham em meus braços buscando espaço para dividir o sofá… Eles não possuem pudor nenhum de dizer “eu te amo pai” ou de me pedir a benção, seja qual lugar for, ou ainda de me pedir coisas… Dialogam comigo. Quando querem algo eles não dizem: “pai eu quero isso”, sempre me dizem: “pai estou precisando disso”. Aprenderam o valor que as coisas possuem e sabem que em tudo, existem limites… Alguém pode dizer: os tempos mudaram, não pode educar seus filhos da mesma forma que foi educado!”. Mas eu insisto: Moralidade, respeito e ética, não sofrem e nunca sofrerão ação do tempo! Apesar de parecer severidade, isso para mim, é educar para o mundo, é protegê-los. Eu sei que meus filhos logo caminharão sozinhos e se eu não ensinar isso, quem vai ensinar? Eles sempre saberão que sou o pai e que os protegerei, não importando qual o tempo ou situação. Eu sei que são meus filhos e é minha obrigação de pai e homem, honrá-los, ser exemplo e acompanhá-los por toda minha vida.

Geralmente sonhamos os sonhos dos nossos filhos. Você é assim ou não?
Definitivamente não! Não tenho ideia do que farão do futuro deles. Eu educo, cuido, ensino a trabalhar, as crianças todas tem suas obrigações, cada um cuida de seu quarto, cada um limpa os seus sapatos, cada um cuida de seu material de escola, todos tem que ir a igreja e todos são responsáveis para cuidarem de todos, mas definir o que serão, isso não. Apesar do tempo não dar trégua, tudo tem o seu momento. Eu nunca coloquei um filho na educação infantil, na pré-escola enviei porque é obrigatório por lei…rs. Criança tem que ter o tempo de ser criança, de brincar, de extravasar, de conhecer a realidade de mundo. Não deixo ninguém grudado no computador, cada um tem seu horário por dia e pronto, o restante do tempo é jogar bola, correr na praça, é se sujar de terra, conhecer como funciona o derredor e descobrir por conta própria e de forma subliminar os gostos e desgostos da vida… nos finais de semana vão para o sítio e se divertem com cavalos, vacas, porcos, galinhas, poeira, rios, peixes e papagaios…
Agora sonhar os sonhos deles não, confesso que isso seria muito mais fácil, mais seguro, mas os pais não são eternos e é ordem natural da vida, os filhos enterrarem os pais. Se eu sonhar ou viver os sonhos deles, quando eu não estiver mais, estarão todos desprotegidos e com os pés ainda virgens de caminhos.

Terminamos por aqui. Arigatou Daufen Bach.
Sou eu que agradeço a ti pela entrevista Cléo e saibas que é privilégio para mim e um grande prazer estar aqui. Agradeço imensamente a toda equipe responsável pelo Portal Mie.

Contato
http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.br/
https://www.facebook.com/pages/Revista-Biografia/426565970737014

Reportagem
Cleo Oshiro –  Colunista Social

Este slideshow necessita de JavaScript.

Artigo por


Deixe seu comentário nesta página!

Outras Notícias

.
Passagens Aereas para o Brasil
Casa Própria no Japão
Mudanças para o Brasil
Produtos Brasileiros no Japão
Mugen Homes - Construindo Sonhos
Clínica Dental ai - atendimento em português
Baladas no Japão
Globo Internacional, mais acessível no Japão