Choque Cultural

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Por Márcia Hanny

 

Quantos de nós brasileiros vivemos longe de casa numa luta constante para o crescimento intelectual, espiritual e material. Desfrutando da oportunidade única de poder sorver as inúmeras Culturas diferentes ao nosso redor!   Saber que é preciso lutar e ser forte, assim como os japoneses sempre nos dizem, “Ganbate Kudasai”...

 

Somos sofredores e guerreiros, desistir jamais, se hoje não foi possível, amanhã será! Trabalhamos, lutamos e muitas vezes choramos às escondidas, pois até os guerreiros tem suas fraquezas, mas enxugamos o rosto erguemos a cabeça e seguimos adiante. Ser o que somos não é para qualquer.

 

O choque Cultural, não é apenas um nome assustador dado para um dos sintomas mais comuns no cotidiano de quem se aventura a viver em outro País.   Sair de casa, afastar-se da família, sem dominar o novo idioma, as diferenças culinárias sem contar com a diferença de comportamento.

 

Passar por este desafio de conflitos e sentimentos requer muita força de vontade, auto-estima e determinação. Muitas vezes não são o suficiente para afastar o fantasma do Choque!

 

Primeiras Impressões

 

Não é fácil sair de seu País de origem e ir viver em outro completamente diferente. Começa haver o desconforto e a desorientação, não sabendo o que devemos fazer e como agir, parecemos crianças perdidas numa sala ampla, sem saber para onde correr e pedir auxílio!  Com a diferença que não temos a vantagem de uma criança que se permite o erro.

 

Enfrentamos uma jornada longa de trabalho, e no final do dia voltamos para o que chamamos “nossa casa”, mas com certeza não é um retorno ao lar. Como conciliar esta nova vida, neste novo país, rodeados de pessoas que mal conhecemos, e longe de tudo aquilo que nos dava segurança?

 

Então começam as mudanças de humor, temperamentos antes calmos começam a se sobressaltar o estresse é inevitável, junto com ele o isolamento social, ansiedade e a depressão.

 

Tudo ocorre devido à falta da capacidade de adaptação. Sim, pois sempre no fundo acalentamos aquele sentimento de que iremos retornar “logo”. E esse logo dificilmente chega, para muitos não chegará.

 

Adversidades Culturais

 

É claro que tudo não tem seu lado ruim, com as diversas culturas, passamos por momentos de grande aprendizado e evolução intelectual, compactuando para a harmonia do mundo, dividir e multiplicar Culturas!

 

Como se não bastasse, passamos também pelo chamado “Luto Cultural”, onde não só sofremos pela não integração social e adaptação, mas também pela perda da nossa cultura própria cultura.

Passamos por fases da evolução do choque cultural, a primeira delas, é onde tudo é novo e divertido. Você começa a ver grandes oportunidades e logo a excitação tomam conta fazendo com que saia a procura de novas emoções. Isto dura mais ou menos de três a seis meses, dependendo de cada um, é nessa fase que começamos a produzir muito e o entusiasmo toma conta por completo.  Assim nos desgastamos por demasia.  Evite estes desgastes, tanto emocionais como físicos, pode precisar deles mais tarde para uma auto-análise e autocontrole.

 

A tempestade chegou...e agora?

 

Outra fase é a desintegração, o nome já diz tudo. Passamos então a ver tudo àquilo que fizemos com tanto afinco e determinação, já não é o que esperávamos que fosse. Começamos então a avaliar e comparar nosso Lar (País) e onde estamos e começamos a imaginar o que estamos perdendo. Começamos a nos sentir só, irritados, confusos, tudo isto numa mistura de saudade dos familiares, dos amigos e até mesmo das pequenas coisas. Dessa maneira começamos a nos frustrar. E nos perguntando, o que viemos fazer aqui?

 

A fase da reintegração, com mais calma, pois toda tempestade tende a passar, começamos a avaliar e agora mais conscientes das diferenças culturais e definindo-as de maneira clara e certa, começamos a conciliar as duas, tornando nossos dias mais leves e mais fáceis. Isto é um processo que requer força de vontade e muita paciência.  Temos a certeza do que nos agrada e o que não suportamos. Às vezes nos tornamos hostis e severos no julgamento alheio.  Nessa fase começamos a taxar as pessoas e sua cultura, mesmo que na realidade não sintamos o que dizemos.  Isto é uma maneira de exalar nossos sentimentos, mas tenha cuidado, como não gostamos de ser rotulados, não podemos fazer isto aos outros!  Já imaginou se ele sabe falar seu idioma?

A fase da autonomia e independência, depois de tanto aprendermos e nos sacrificarmos à tensão e a irritação já não fazem mais parte do cotidiano. Poderíamos dizer que depois da tempestade vem a calmaria. Adaptados à cultura japonesa, estamos confiantes, já temos algum dinheiro e bens, mas falta o que tínhamos no começo: objetivos. É o preço por se adaptar...

 

 Conclusão

 

Conseguimos ter uma vida social nos adaptamos aos costumes, embora ainda haja pequenos conflitos, mas já estamos hábeis para lidar com estas situações.

 

Após passarmos por este estresse, angústias, saudades e sentimentos contraditórios sejam devido ao contacto direto com uma cultura diferente ou mesmo reencontrar-se com sua própria cultura.

 

É bem verdade que devemos dar valor às nossas emoções, este sentimento de choque Cultural tende a desaparecer no período de meses e no máximo de dois anos. Podendo evoluir para um estágio de transtorno de adaptação.

 

Seja lá o que for a causa é sempre importante lembrar que tudo na vida é transitória, nada é para sempre e a tendência é sempre melhorar.

 

O choque cultural não precisa necessariamente ser o que é, mas sim, um caminho de portas abertas para o aprendizado, onde podemos dividir e multiplicar, aprender e aceitar as diferenças culturais, caminhar juntos pela evolução em uma só direção.... a Paz!

 

Faça amigos, viva com quem você gosta, encontre um tempo para si mesmo, faça o que lhe dá prazer, mas tenha em mente, sempre, seus objetivos. Nunca esqueça deles. Eles te trouxeram aqui, eles podem te levar também!