Dramas e solidariedade dos brasileiros de Hiroshima

Publicado em 12 de julho de 2018, em Comunidade

Desde a sexta-feira da semana passada os residentes brasileiros vivem dramas por causa das tragédias. E também de solidariedade.

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Tragédias durante e depois da chuva histórica: brasileiros superam com solidariedade (Rose Hirose/PM)

Os dramas começaram na sexta-feira (6). Na segunda-feira a indústria decretou feriado, pois o local estava caótico. O expediente normal retornou na terça-feira (10). Rose Hirose saiu de casa às 5h30 achando que daria tempo para iniciar o expediente com todos. Só conseguiu chegar na indústria de autopeças onde trabalha às 10h42. Em condições normais faria esse trajeto em 1h30.

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Rose, trabalhadora na indústria de autopeças e fotógrafa, registrou a tragédia com sua câmera e ainda vive os dramas junto com outros brasileiros (cedidas)

Tomou ônibus, trens e duas balsas para conseguir chegar. “Não desisti, afinal a fábrica precisa da gente”, disse a brasileira que é também fotógrafa do Portal Mie. “E não só nós brasileiros, mas as vietnamitas e os japoneses também foram. Os chefes ficaram agradecidos pois a fábrica continua produzindo”, relatou.

“Só depois fiquei sabendo que vamos receber mais por termos ido trabalhar dentro do caos. Quando cheguei a chefe disse para me sentar e descansar uns 10 minutos antes de começar a jornada. A indústria vai reembolsar tudo o que gastei fora do teiki (cartão de passagens comprado antecipadamente para o trabalho)”, contou Rose.

Continua sua longa viagem para ir e voltar do trabalho. Também orientou quem precisa fazer outros trajetos para ir à faculdade ou para cumprir expediente como ela.

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Rose saiu de casa no sábado para registrar a tragédia causada pela chuva (cedida)

Ela reside na cidade de Higashi Hiroshima, ao leste da província de Hiroshima, uma das áreas mais afetadas pela chuva histórica. Trabalha perto de Kure Portpia, uma outra cidade da província.

Dramas desde sexta-feira

Na manhã de sexta-feira (6) os alarmes do tempo começaram a disparar. Eram avisos de chuva torrencial e de prevenção aos deslizamentos. Ainda assim foi trabalhar.

Quando chegou em Kure Portpia os alto-falantes da praça avisavam sobre a chuva. “Mas ninguém imaginava que aconteceriam todos esses desastres da natureza”, relembra.

No intervalo das 15h a chefia avisou que quem foi trabalhar usando trem, como ela, seria dispensado às 15h25 por que o transporte público iria parar às 17h. Quem estava de carro trabalharia até o fim do expediente.

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“Os alertas de chuva torrencial e deslizamentos não paravam. Consegui uma carona para voltar para casa, até Kaita”, relembra. No entanto, “o trajeto da volta parecia um filme de terror”, relembra. Eram bombeiros trabalhando no resgate, enchentes e inundações nas rodovias, asfaltos desfeitos, tornando-as perigosas, visibilidade ruim pois não sabia mais o que era estrada e rio.

Enfim, Rose conseguiu chegar em casa às 23h. Foram mais de 7 horas de tensão na estrada de cerca de 40Km.

“Tive amigas que ficaram presas na enchente. Uma delas voltou para a fábrica. A outra foi socorrida no dia seguinte pelo pai. Foi dramático para todo mundo”, conta.

No dia seguinte, com sua máquina de fotografia, Rose foi registrar os estragos provocados pela fúria da natureza. “Em 25 anos neste país nunca vi nada igual”, declara assustada.

Vítimas brasileiras

“Felizmente ninguém se machucou, mas alguns brasileiros tiveram que passar a noite no abrigo, em Kaita. A cidade ficou toda inundada, cheia de lama. Depois deixaram o abrigo e foram para casa dos parentes”, relata.

Um brasileiro morreu em Seno. “Eduardo Ogata era intérprete e fazia traduções. Foi encontrado morto em sua casa no domingo (8). Ele não foi vítima dos desastres, mas teve infarto. Não foi encontrado antes porque todos estavam envolvidos com os desastres da chuva”, lamenta.

Em Fuchu não estava chovendo e o filho de uma amiga brasileira quase foi atingido pelo repentino deslizamento. Não passou de susto, mas diversas áreas da província continuam sob risco.

A represa de Tanabe teve cheia, o que causou enchente no reservatório de água para agricultura. Autoridades trataram de avisar a população, na quarta-feira pela manhã para buscarem abrigo, em Higashi Hiroshima. O clima é de tensão.

Assista o que passou um brasileiro para chegar ao trabalho depois dos desastres causados pela chuva histórica.

Solidariedade

Na noite de terça-feira (10) um grupo de amigos de Rose soube que compatriotas estavam sem água para beber e se banhar, com esse calor. Cada um tratou de comprar uma caixa de água mineral. “Foram 5 caixas entregues, mas o nosso amigo teve que levar de barco pois não dá para chegar de carro”.

Em Seno, do bairro Aki, da capital, japoneses e brasileiros uniram suas forças na terça-feira para recuperação do bairro. Com baldes e pás nas mãos os residentes locais removem pedras e desenterram os carros que ficaram atolados. Afinal, a vida precisa recomeçar.

Como fazer doações

Com mutirão todos se ajudam mutuamente, com sorriso no rosto e muito suor, pois os termômetros marcaram mais de 30ºC após a chuva devastadora.

“Não tive coragem de tirar fotos do mar. Está marrom. Parece um rio cheio de lama”, fala com tristeza.

Rose e seus amigos que adoram Hiroshima lamentam as perdas das vítimas.

Ela pede que, na medida do possível, as pessoas de todo o Japão possam fazer contribuições nos bancos ou nas lojas de conveniência. “Sabemos que tem muita gente nos abrigos, precisando de vários itens, mas há locais onde não conseguimos entrar de carro. As autoridades usarão os recursos para o alívio delas”, comenta.

E, se tiverem disposição, podem se deslocar para fazer trabalhos voluntários na recuperação das casas e cidades.

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O que as famílias de Hiroshima e outras províncias afetadas precisam é de voluntários para ajudar na limpeza e na arrumação (cedida)
Fotos e vídeo: cedidos


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